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Desapego (Post nº 100!)

19 mar

desapegoHoje simplesmente olhei para o que um dia me fez sofrer tanto. Juro que tentei sofrer de novo e não consegui. E ri. De mim mesma e desse estado de graça que é o desapego. Amadureci. Estou pronta para ouvir nãos sem desabar. Desapego não é esquecer. É lembrar, recordar, lidar diretamente e até conversar sobre. Mas sem cair uma lágrima sequer.

Compreendi que a gente se basta, sabe? Que somos completos a ponto de ser quem queremos. Que temos planos com nós mesmos e muitas vezes não cumprimos por estarmos apegados à coisas que não dependem da gente. Muito menos do nosso amor.

Mas a vida, principalmente a nossa, ah, essa depende de todo amor do mundo que podemos dar! Ela só tem sentido se houver amor… Portanto, entregue-se aos planos que criou para si mesmo. E tenha consciência de que todo sofrimento é passageiro. A não ser que você entregue sua vida a ele. Dedique-se aos planos totalmente, fazendo tudo com todo amor que puder. O resultado virá na mesma proporção e o desapego é uma consequência que aparece para aquelas pessoas que aprenderam a ser completas da forma que são. Independentes sentimentalmente. Que se bastam.

E isso é tudo para quem um dia achou que não seria mais nada.

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To You, With Love

14 ago

image Ainda sinto que nada disso se foi. E dói. Não quero esquecer e isso faz com que eu me sinta numa montanha russa, cheia de altos e baixos. Ora intensa e sofrida. Ora amena e bem. O tempo passa e não espera por ninguém. Não espera nem você catar os cacos desse coração despedaçado. Então junto tudo, guardo e corro para não perder tempo. No caminho, vou ajeitando, colocando as coisas no lugar. O que não posso é ficar para trás.

Disso tudo pude tirar uma conclusão maravilhosa: todas as pessoas que amo estão felizes. Inclusive você. E seria muito, mas muito egoísta de minha parte querer que você não fosse feliz só porque não estamos juntos. Afinal, não é o amor que muda; são as relações. E isso é lindo de dizer, mas dói pra caramba. Dói e não é pouco. Mas vale o sacrifício. Vale sim, embora agora eu mal ouça sobre você e sua vida, mas sei que está feliz. E quando se sentir triste, lembra ou pelo menos tenha a sensação de que tem alguém que sempre vai te amar, te cuidar e te querer todo o bem. De coração. De energia. Por inteiro.

Talvez você nunca leia isso, mas sei que leva em ti um pouco de mim. E essa mínima dose de mim é o suficiente para que você nunca se sinta só, mesmo que isso nunca aconteça. Deus sabe o que faz. Se cuida.

Com amor,

Flor.

Sobre bebidas quentes e queimaduras

26 jul

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Era uma sexta feira a noite. Ela estava silenciosa, sentia frio. Estava agarrada ao seu edredom e sua xícara ao lado, na cabeceira. Tinha um olhar misterioso e perdido. Piscava pouco. Pensava muito. Decidiu beber um gole da sua bebida, mas já estava fria. Vestiu o roupão e foi até a cozinha, despejou a bebida no bule e a aqueceu no fogão.

Sentou-se no banco da cozinha, ainda séria e silenciosa. Com um leve toque, mexeu nos cabelos e apoiou sua mão no queixo e o cotovelo na mesa. Tinha o olhar fixo em um só ponto. Esperou cinco minutos e desligou o fogo. Despejou novamente a bebida na xícara e bebeu um gole. Se queimou, pois estava muito quente e a bebida já não tinha o mesmo gosto bom de antes. E de seus olhos escorreram lágrimas que foram logo limpadas com as próprias mãos.

Sem pensar, jogou a bebida quente na pia e lavou a xícara. Estava pronta para outras bebidas. Mais mornas, mais gostosas, novas, frescas. Ela deu uma risada abafada. Estava sozinha. Sentiu um alívio por isso. Voltou para o quarto, deitou-se, desligou o abajur e tentou dormir. O dia de amanhã estava chegando e, por mais sensível que ela fosse, a queimadura iria sarar.