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Bagunça

8 maio

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Estava tudo uma bagunça. Meu quarto, meu guarda-roupa, minha bolsa, minha cabeça e, de quebra, minha vida. Daí parei pra perceber que tudo a minha volta era reflexo do que se passava aqui dentro. Até que chegou um momento em que fiquei inerte em meio a tanta bagunça, não conseguia mais arrumar nada. Simplesmente sentava na bagunça. E bagunçava ainda mais. Os dias foram passando e os planos não se concretizando e a frustração chegando e tomando conta. E mais bagunça. Não havia ninguém para mandar eu arrumar. Muito menos alguém para me ajudar a arrumar tudo. Na verdade eu escondia a bagunça, só eu mesma via. Disfarçava para que as outras pessoas não vissem nada. Até que um dia resolvi dormir com a cabeça do lado contrário do que costumo dormir na cama. Pra ver se os pensamentos voltam ao normal, sabe? Sei lá, pode ser maluquice mas foi uma decisão momentânea e impulsiva. Porém, funcionou! E comecei a organizar a mente e aos poucos fui organizando o resto. E me dei conta de que às vezes é preciso apenas mudar de lugar, de ponto de vista, virar do avesso, simplesmente sair do lugar de conforto. Vi que do outro lado da cama é um bom lugar para recomeçar a colocar as coisas em ordem.

Mas e agora? Bom, digamos que agora tenho uma bagunça organizada.

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Se

28 maio

98856095Se a vida vira o seu pensamento pelo avesso, o que fazer então? E se a vontade louca de um sentimento adormecido voltar à tona? Se tropeçar algumas vezes, atrasar, perder a hora? Se não der certo? Se não houver fé suficiente? E se nada mais disso tiver jeito? E se o meu coração nunca se curar? E se o destino insistir em cruzar os nossos caminhos? E se não houver destino? E se a vida for esse eterno jogo de perguntas e incertezas? Se acomodar ou se entregar?

Então pensa pelo avesso mesmo. Acorda esse sentimento de vez! Levanta, corre contra o tempo; perca a hora, mas jamais perca o foco. Vai dar certo. Há fé de sobra. Se isso não tivesse mais jeito a vida perderia o sentido. Seu coração nunca vai se curar de amor. Não sei ao certo se há destino, mas cruzo os dedos para que ele continue cruzando os nossos caminhos, motivo de sobra para que eu acredite que há um. A vida é um ponto de interrogação. Se quisermos chegar onde desejamos, precisamos transformar e formular nossas frases (e nossa vida) com se para que ela não termine com interrogação, mas sim com um ponto final. A incerteza é o que nos move hoje, portanto chega de dúvidas: se entregue quantas vezes for preciso.

De dentro para fora

1 abr

146651286   Não sei o que escrever no momento, porque não sei ao certo o que estou sentindo. Só posso afirmar que é algo bom. Que toda aquela intensidade de antes se esvaiu. E embora eu não saiba o que escrever, eu escrevo. E assim é a vida, né? Embora não saibamos onde estamos indo e onde vamos parar, estamos indo.

Mudei minhas prioridades, mas continuo no mesmo rumo e querendo ir para o mesmo lugar. Mudei as companhias, a rotina e inovei tudo. Às vezes o coração aperta querendo de volta a intensidade que outrora me consumia. Não volto atrás. O que quer que eu tenha deixado para trás vai ter que correr muito para acompanhar meus passos de agora. Estou correndo!

O que acalma o coração é o tempo. Os dias se passando, as semanas e os meses. Até que nos tornemos uma incógnita porque não nos reconhecemos mais sem aquela intensidade toda. Mas depois disso, vêm as certezas. Hoje sou razão e ação. Estou menos intensa. Estou feliz!

Descobri que sentimos de dentro para fora. Vomitamos sentimentos, intensidades, desejos. Tudo de dentro para fora. E se não sairmos de nós mesmos às vezes e virmos o que estamos transmitindo ao mundo, de nada adianta. E como já disse José Saramago “É necessário sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós”. 

E para quem não sabia o que escrever, escrevi até demais. A verdade é que eu sempre sei o que escrever. Vem de dentro para fora. E é dessa forma que saio de mim mesma e me vejo. Sou o que escrevo, pois “escrever é um ato de revelação” (Clarice Lispector). Meu coração está exposto em palavras que tentam decodificar o caos, a desordem ou até mesmo a pacificidade que se passa aqui. E, enquanto isso, estou indo.

Cadê você?

9 jan

159108335 Demorei a ter forças para entrar nessa. Fui criando devagar, alimentando esse sentimento bom que tenho aqui. Até que um dia me convenci de que era melhor arriscar e não mais reprimir esse sentimento. E fui. E me venci. Me superei. Passei dos meus limites. Ouso até dizer que me prejudiquei. Por você.

Seria capaz de fazer bem mais se você permitisse, mas o seu silêncio me engole, me detona, me paralisa e até me magoa. E fico sem saber dar qualquer outro passo. Sem um sim, sem um não. Sequer um talvez. Estamos ligados de alguma forma e vai ver até sempre estivemos e nem sabemos… Não sei nem se um dia você estará lendo isso ou sabendo o que se passa aqui. Também não quero contar. Quero mostrar.

Antes dizia que se tivesse de ser eu a dar o primeiro passo, daria. E assim o fiz. Mas agora já não cabe mais a mim. Estou saindo dessa, com a mesma consciência de dever com a qual entrei. Porém, mais madura, mais forte, mais decidida e mais mulher.

E sabe de uma coisa? Se for mesmo pra ser, quem tem que dar muitos primeiros passos é você. E logo. Antes que me perca de vista no horizonte da vida. Ou me ganhe, quem sabe.

O amor é servido quente

6 dez

111716309     Me derramei, me entreguei e aqueci meu coração. Derramei na xícara mais linda que tinha e te ofereci da forma mais bonita que pude tudo o que sinto por você. O amor é servido quente. Esperava que você bebesse e se aquecesse por dentro e que a partir daí tudo seria diferente. Mas diferente pra quem?

Sempre que posso tento te lembrar que a xícara está quente, que não sou mais dona dos meus pensamentos e que você ocupa quase tudo. Às vezes coloco a xícara na janela, na esperança de que passe a brisa e esfrie. Porque de vez em quando queima, dói, arde. Espero e não esfria. Espero e você não vem. Mas espero.

Tenho medo de ter um choque térmico a qualquer momento e esfriar de vez. De não querer mais servir xícaras quentes como esta a ninguém. Mas nesses últimos meses percebi que a vida é imprevisível. Hoje posso esperar e amanhã posso ter pressa. Percebi e aprendi que devo sim sempre oferecer o melhor de mim, do que sinto, do que sou. E numa xícara quente.

Não desisto, mas também não insisto. Pareço não me importar, mas me importo. Já fiz o que tinha que ser feito. Já disse quase tudo que havia e podia ser dito. E peço-lhe que se vier, por favor, não demore. Porque hoje, amanhã e depois a xícara que preparei pra você estará quente. Mas um dia, por mais que eu ache que não, esfria.